Cozinhando com prazer - A arquitetura à sua disposição
por Anne Bomm


Há pouco tempo atrás, quem precisava de um pouco de água para a sopa, dirigia-se ao poço; para ligar o fogão era necessário muita lenha e para conservar os alimentos, eram usadas técnicas que já foram até mesmo esquecidas pela nossa geração, pois, somos de uma nova época, a época do desenvolvimento do computador e do chip.
Assim, não vamos muito longe para percebermos que o preparo dos alimentos deixou de ser apenas uma necessidade vital de sobrevivência humana, tornando-se um ramo que explora, com a ajuda da tecnologia, os prazeres do paladar, fato pelo qual passou a ser chamada de “gastronomia”.
Antes de colocarmos nossa imaginação ao dispor da melhores receitas da culinária mundial, é preciso colocarmos nossa necessidade à solução da arquitetura de interiores. Assim como uma receita, projetar uma cozinha também tem seus segredos. Sua evolução passa necessariamente pelo conceito de funcionalidade, o que requer o planejamento adequado.
Com a idéia de que cada pessoa possui um estilo de vida (o executivo, sem tempo para longas refeições; o almoço em família; a confraternização entre amigos; o lanche das crianças, etc), que normalmente se reflete nos seus hábitos alimentares, eu como arquiteta adapto tais necessidades à características e estilo de vida de cada pessoa. Penso que essa cozinha servirá ao cliente e não a mim, portanto, preciso identificar claramente o perfil desse morador, desta família. Para isso utilizo técnicas de psicologia em forma de entrevistas e o mais importante, ouvir. Segundo um ditado alemão, " Sprache is silver, hoher is Gold" (falar é prata, ouvir é ouro)
Pense num fluxo livre para levar o alimento da geladeira a pia, da pia ao fogão. Imagine uma bancada livre e bem iluminada para o preparo de uma gostosa salada. Necessita de uma bancada para apoiar uma forma quente de bolo? E o depósito de mantimentos onde fica? E as lixeiras, problema comum nas cozinhas, reciclar ou não reciclar? Cooktop ou fogão convencional? Coifa ou depurador? Forno a gás ou forno elétrico? E os revestimentos, pastilhas, porcelanato, cerâmica? Eis as questões... e esse é o meu desafio como arquiteta.
Dessa forma, partindo da idéia de que cada um de nós possui uma preferêcia, temos alguns exemplos que podem ilustrar este desafio. Estilos diferentes para as mesmas funções, ou seja a arte de cozinhar. Rústicas, contemporâneas, um mix de estilos e sensações, cheirinhos de pimenta, alho ou pãezinhos quentinhos, quem resistiria?
Tozetos especiais, pastilhas cerâmicas ou vidro, madeiras, aço inox e porcelanatos que são idênticos a madeiras de demolição. Eletrodomésticos de última geração em contraponto aos forno a lenha. Iluminação adequada.
Por onde entram as compras? Por onde sai o lixo? Para uma maior funcionalidade é preciso qua esta cozinha esteja ligada de alguma forma a sala de jantar e a lavanderia, não necessáriamente integrada. Mas porque não? Hoje em dia a cozinha reflete claramente as mudançãs de comportamento e os novos modos de vida, é o centro das atenções e reuniões.
E qual é o seu sonho?

Anne Bomm
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Um comentário:

MaNiNhO disse...

Perfeta iniciativa.

Boa empreitada!